1.2.3 A experimentação animal como fonte de lucros
Um aspecto que também necessita
ser considerado é o fato de que a experimentação animal é um dos negócios mais
lucrativos do mundo, posto que envolve a instalação e a manutenção de
laboratórios, a aquisição de rações, gaiolas, aparelhos de contenção e dos
próprios animais, os fundos angariados pelos estudos, a manutenção de conselhos
de pesquisas nacionais e a remuneração dos cientistas (GREIF e TRÉZ, 2000).
O mercado para a experimentação
animal teve início em meados do século XIX, quando Claude Bernard começou a disseminar
os resultados desta prática. A pesquisa médica começou a crescer e atingir
áreas não diretamente relacionadas à prática médica; pessoas que não podiam
estabelecer-se como médicos poderiam então viver da experimentação animal, como
vivissectores (INR, 2006).
Em pouco tempo, os vivissectores passaram então a pedir e receber
dinheiro pelas suas pesquisas. Os criadores de animais começaram a lucrar
muito, e os fabricantes e fornecedores de equipamentos também apreciaram a
expansão deste mercado (INR, 2006).
Apesar das enormes disparidades nos resultados entre os próprios animais
e entre animais e seres humanos, a crescente indústria era vista como provedora
de informações úteis para o estudo das doenças. Na década de 1930, uma única
ocorrência de uma droga que afetou um animal e um ser humano do mesmo modo
tornou o modelo animal uma rotina, sobretudo na fabricação de medicamentos.
Porém, os mesmos problemas persistiam, e diferentes espécies de animais reagiam de modo diferente às mesmas
substâncias (INR, 2006).
Não
obstante, a indústria farmacêutica logo estreitou os seus laços com as
universidades, gerando então mais pesquisas, visando à produção de lucros ainda
maiores (INR, 2006).
Curiosamente, o desastre
da talidomida, um medicamento contra o enjoo que causou deformidades em quase
15 mil fetos humanos, fez com que o congresso norteamericano exigisse a
experimentação animal para atestar a segurança dos medicamentos, relegando o
fato de que a droga em questão já havia sido testada com inocuidade em animais
(INR, 2006).
Ao determinar que todas
as drogas sejam testadas em animais antes de serem comercializadas, o governo,
influenciado por interesses de outros grupos, favoreceu empresas interessadas
mais em lucros do que no bem-estar dos pacientes. A questão é que, quando
envolvidas em alguma ação legal, estas empresas defendem-se, alegando que
realizaram todos os testes exigidos por lei. O fato é que esta segurança legal
contribui muito para que ocorram abusos em nome da ciência através da
experimentação animal (INR, 2006).
Muitos dos valores
éticos das sociedades contemporâneas devem-se justamente ao fato de que o ser humano julga-se usufrutuário da
natureza e dos animais, considerando que pode subjugá-los em favor das suas
conveniências (LEVAI, 2004).
É grande o dispêndio na montagem da infraestrutura de um
laboratório, assim como são onerosas as condições necessárias para manter o
controle ambiental rigoroso exigido pelo Ibama. Há ainda custos com perdas
inexoráveis de vidas das cobaias desde os testes iniciais até o final dos
experimentos (SCHANAIDER e SILVA, 2004).
Por
exemplo, o custo para a aquisição dos animais varia segundo a sua procedência,
o fornecedor e as suas características, oscilando entre R$ 10 reais para o
rato, R$ 40,00 para o coelho e R$ 300,00 a 400,00 para o cão com pedigree. Alguns
centros de excelência chegam a criar e manter cães com pedigree para utilização
nas suas próprias pesquisas, destacando-se o beagle e o pastor alemão
(SCHANAIDER e SILVA, 2004).
Estudos
conduzidos pela HSUS (Humane Society of the United States) e por outros grupos
compararam os custos que envolvem a experimentação animal com os custos dos
recursos substitutivos, e encontraram uma considerável diferença em favor do
uso das alternativas. O custo da sua implementação pode ser alto a curto prazo,
porém, é recuperado com o tempo. Ademais, outros benefícios são conquistados
com a sua adoção, como a redução do conflito ético entre estudantes e
professores, treinamento mais específico, voltado para as exigências das
futuras carreiras, e uma maior reputação acadêmica (TRÉZ, 2009).
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